sábado, 24 de dezembro de 2016

Areia: origem

Areia teve origem provavelmente em fins do século XVII e princípios do século XVIII. Em meados do século XVII o território do atual município era conhecido como Sertão dos Bruxaxás, por causa dos índios Bruxaxás que dominavam primitivamente os montes verdes da serra da Borborema.

Inicialmente não passava de um curral, um cruzamento íngreme de caminhos, para o recolhimento do gado que vinha do sertão, com destino aos mercados do litoral. Por essa época, no local onde hoje se ergue a cidade, um desbravador português de nome Pedro, que pela amizade desenvolvida com os índios recebeu a alcunha de Bruxaxá, construiu um albergue à margem do cruzamento de estradas muito frequentadas pelos viajantes que provinham de Pernambuco ou do alto sertão e dirigiam-se para Mamanguape e a capital, ou vice-versa. Ao lado de Pedro Bruxaxá como desbravador desse território figura também o major Joaquim Gomes da Silva, senhor da propriedade “Lameira” em Guarabira.


Muito cedo o povoado começou a crescer, a mudar de fisionomia, a espalhar-se pelos terrenos escassos da lombada da serra. E a despeito do progresso que o tempo operava, aquela ruazinha de aspecto maltrapilho, que deu lugar ao nascimento da localidade, continuou pelo espaço de dois séculos a exibir-se na indigência de seu traje, um agrupamento de casas de palha, bem à entrada da cidade, do lado oriental. Mais ainda se humilhava com o apelido que lhe botaram de Rua do Grude, por causa das constantes brigas que ali se desenrolavam (ALMEIDA, H., 1957, p.12).


Paulatinamente correu a fama da exuberância das terras do Sertão do Bruxaxá entre os tropeiros de distantes sertões. Colonos de Pernambuco e viajantes estrangeiros atraídos pelos pontos de cal branca, fortemente iluminados, comunicando vida urbana numa crista de serra trilhada por pequenos cursos de água, dando lugar a histórias e lendas que até hoje repercutem na cidade. A riqueza de versões, de histórias e lendas indica a projeção, não apenas local, mas na colônia inteira, do pequeno povoado que o alvará de D. João batizou de Vila Real do Brejo de Areia.

Como passagem obrigatória e ponto de encontro para boiadeiros, comboieiros, tropeiros e passantes, o local logo atraiu habitantes que em pouco tempo ajudaram a formar um próspero povoado que passou a chamar-se de “Brejo de Areia”, devido correr nas imediações um riacho de nome Areia. Servida por algumas vias de comunicação, pelo fomento da agricultura e do comércio a então Vila Real do Brejo de Areia passou por um período de expansão, sendo construídas muitas casas de taipa e de alvenaria bem como a construção de uma igreja, transformando assim toda fisionomia local.







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